Ex-padre acusado
de ajudar ditadura argentina nega-se a falar
O ex-padre argentino
Christian Von Wernich, de 68 anos, se negou a falar durante o primeiro
dia de julgamento, nesta quinta-feira, no Tribunal Federal de La
Plata, capital da província de Buenos Aires, na Argentina.
"Não vou declarar e nem responder perguntas",
disse. Von Wernich é acusado de revelar a confissão
de presos políticos, torturados, às autoridades da
recente ditadura argentina, entre 1976 e 1983.
Ele responde por sete homicídios, 31 casos de tortura e
42 prisões ilegais.
No banco dos réus, o ex-sacerdote da Igreja Católica
estava protegido com um colete a prova de balas e cercado por paredes
de vidro dentro da sala de audiências.
As cenas foram mostradas ao vivo pelas emissoras
de televisão
do país. Ele é o primeiro religioso a ser julgado
por "crimes de lesa humanidade" cometidos na ditadura
argentina.
Na sala, deste julgamento oral e público, era possível
ouvir os gritos de "assassino" e "prisão
perpétua" de familiares das vítimas daqueles
anos de chumbo.
Gritos
Diante do juiz, Von Wernich pediu que aumentassem
o volume do som dos microfones, alegando que não podia
escutar por causa dos gritos fora do Tribunal.
As sessões serão retomadas na terça-feira
e a expectativa é de que o processo inteiro dure, pelo menos,
dois meses. Nesse período, estima-se que 130 pessoas (sendo
70 vítimas da ditadura) vão prestar depoimentos no
julgamento do ex-padre.
As testemunhas estão recebendo proteção
especial do Estado.
No ano passado, logo depois de depor num julgamento
de outro acusado da ditadura, a testemunha, Julio López, desapareceu e ainda
não se tem notícias de seu paradeiro.
De acordo com o historiador argentino Hernan
Brienza – um
dos que acusa o ex-padre – Von Wernich entrava nas celas
e ouvia as confissões dos presos "à beira da
morte", mas que tinham a "esperança" de serem
salvos pelo religioso.
Brienza é autor do livro Maldito tú eres. El caso
Von Wernich, Iglesia y represión ilegal e afirma ser a primeira
vez que um ex-sacerdote católico é julgado na América
Latina.
Em seu livro, ele conta que Von Wernich fez
parte de um sistema, de prisões ilegais e torturas, que
teve apoio da igreja na Argentina.
No Tribunal, nesta quinta-feira, o ex-padre
ouviu em silêncio,
as acusações com os nomes das vítimas. Às
vezes, ele fazia algum comentário com seus defensores e
chegou a insinuar que chorava.
O ex-sacerdote é acusado como co-autor dos assassinatos
de Domingo Moncalvillo, María del Carmen Morettini, Cecilia
Idiart, María Magdalena Mainer, Pablo Mainer, Liliana Galarza
e Nilda Susana Salomone.
Ele foi preso em setembro de 2003, depois de ter passado quatro
anos no Chile, com nome falso.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/07/070705_padre_argentina_dg.shtml
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